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Soja: Pratylenchus brachyurus causa perdas de até 50%

As perdas provocadas pelos nematoides preocupam os agricultores de Mato Grosso. Segundo a Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja), praticamente todas as regiões produtoras do Estado sofrem com o ataque destes parasitas. A espécie mais temida é Pratylenchus brachyurus, chamado nematoide das lesões radiculares, que tem causado perdas de até 50%. Porém, há cuidados que podem reduzir os prejuízos por ele provocados.

Na fazenda do produtor José Martins Badan, em Nova Mutum, os prejuízos foram grandes. Há três anos, ele percebeu que em alguns talhões da propriedade a colheita ficava cada vez menor e a análise das plantas revelou o motivo, que surpreendeu o agricultor. “Nós achávamos que era outra coisa, pois tínhamos problemas com o percevejo castanho, mas vimos que na verdade era muito mais o nematoide, o Pratylenchus” disse Badan.

P. brachyurus provoca sérios danos nas raízes, comprometendo o potencial produtivo. Praticamente todas as regiões produtoras de soja de Mato Grosso sofrem com o ataque deste parasita, que hoje é mais preocupante que os nematoides de cisto (Heterodera glycines) e de galhas (Meloidogyne spp.). “O problema é que ainda não há cultivares resistentes ao Pratylenchus ou tolerantes aos danos por ele causados e também não há garantias reais da eficiência do uso de defensivos químicos no seu combate. Dessa forma, a melhor maneira de tentar minimizar as perdas é encontrar o manejo ideal” afirma a engenheira agrônoma Lígia R. Lopes. Segundo ela, o Pratylenchus é polífago e usa várias plantas daninhas como hospedeiras, aumentando assim a sua população na área.

Outra boa alternativa de manejo é cultivar, após a colheita da soja, plantas que ofereçam poucas condições ao Pratylenchus de se multiplicar. Algumas variedades de milheto e de crotalária são indicadas. Segundo Lígia, as crotalárias ‘spectabilis’ e ‘ocroleica’ têm fator de reprodução quase igual a zero para o nematoide, ou seja, ele vai penetrar nas raízes dessas culturas, mas não conseguirá se desenvolver nem reproduzir. Com alguns tipos de milheto ocorre o mesmo tipo de mecanismo, reduzindo-se bastante a densidade populacional do nematoide.

Também é importante melhorar a fertilidade do solo e redobrar os cuidados com a maquinaria utilizada na lavoura. O coordenador da Comissão de Gestão da Produção da Aprosoja, Naildo Lopes, afirma que é preciso lavar bem os equipamentos agrícolas usados em áreas infestadas pelo nematoide antes de reutilizá-los em outras áreas, prevenindo assim eventual contaminação.

Na fazenda do produtor Adalberto Schoupinski, foram seguidas essas orientações técnicas. Ele cultivou crotalária e milheto para reduzir a população de nematoide e usou a cama de aviários para adubar a área de soja. Por enquanto os resultados são animadores. Segundo Schoupinski, a produção voltou a crescer.

(Rural BR-Agricultura / Nov. 2011)

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Uma Resposta
  1. A.B. Mazzini disse:

    Leio sempre sobre esses nematóides, agora atacando soja. Seria bom soltarem mais notícias sobre eles. Obrigado. Adelson B. Mazzini

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