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Prof. Dr. Charles F. Robbs (1920-2012)

Com pesar, anuncia-se o falecimento no dia 3/1/2012, no Rio de Janeiro, do Prof. Charles F. Robbs (UFRRJ), renomado fitopatologista/bacteriologista brasileiro. Seguem dados biográficos e resumo das atividades do ilustre docente/pesquisador, como organizados pelo Dr. João S. P. Araújo (UFRRJ):

Charles Frederick Robbs nasceu em 18 de janeiro de 1920, em uma pequena casa na praia de Olinda, Pernambuco. Seu pai Frederick Robbs era inglês e sua mãe Judith Dantas Robbs, embora nascida em Belém do Pará, foi criada no Ceará. Por isto, foi registrado com dupla nacionalidade: brasileira e inglesa. Em outubro de 1921, nasceu sua única irmã Helen Judith Robbs. Seu pai, contador do British Bank, esperava retornar um dia ao país de origem para que seu filho estudasse medicina em Liverpool.

Em 1926, com seis anos de idade, foi morar com a família na Inglaterra. Logo chegando, contraiu sarampo e foi removido para um hospital de isolamento. Já quase recuperado, contraiu meningite e teve que permanecer mais três meses hospitalizado, circunstância em que aprendeu a língua inglesa. Em 1928, voltou para o Recife e em 1930 a família mudou-se para o Rio de Janeiro.

Em 1937, após ter concluído o ginásio, conheceu o então Ministro da Agricultura Dr. Fernando Costa, aluno particular de inglês com sua mãe. O Ministro encaminhou-o ao Prof. Heitor Vinicius da Silveira Grillo – casado com a escritora Cecília Meireles, o qual, em 1938,  matriculou-o no Colégio Técnico da Escola Nacional de Agronomia (ENA).

Em 1943, já no último ano do curso de Agronomia da saudosa Escola Nacional de Agronomia (ENA), foi convidado pelo Prof. Verlande Duarte Silveira para ser monitor da Cadeira de Fitopatologia e Microbiologia Agrícola. Em 1944, foi indicado pelo Professor Catedrático Heitor Grillo  para ocupar o cargo de Professor Assistente de Fitopatologia. A partir dessa época, enveredou pela fitossanidade, de forma pioneira e auto-didática, passando a dedicar-se especialmente ao estudo das bactérias fitopatogênicas, até tornar-se o mais destacado especialista brasileiro nessa área de pesquisa. Ainda em 1944, teve a felicidade de conhecer Haydée dos Santos Guimarães, com quem casou-se em 1º de fevereiro de 1947 e teve seus quatro filhos: Paschoal Robbs, Regina Maria, Carlos Frederico e Francisco Carlos.

Em decorrência da monografia apresentada ao final do Curso de Fitossanitarista da ENA, em 1945, sob o título: “Contribuição ao estudo das bactérias que atacam plantas no Brasil”, obteve do Ministério da Educação equivalência ao título de Mestre em Ciências. A referida monografia reuniu três capítulos: 1) “Contribuição ao estudo da podridão negra das crucíferas”; 2) “Considerações sobre insetos possivelmente transmissores de doenças bacterianas” e 3) “Lista preliminar das bactérias fitopatogênicas observadas no Brasil”. Esses fatos foram decisivos para itensificar o entusiasmo e dar continuidade às pesquisas do Prof. Robbs em Fitobacteriologia. No ano 1967, obteve a Livre Docência e, em decorrência do concurso prestado, titulou-se Doutor em Fitopatologia e Microbiologia Agrícola, em 1970.

Destaca-se como suas principais atividades profissionais, as seguintes: Professor da Escola Nacional de Agronomia (Atual UFRRJ) até 1985. O Prof. Robbs aposentou-se da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRuralRJ), mas continuou suas pesquisas na EMBRAPA em Jaguariúna – São Paulo, na área de controle biológico de pragas e doenças. Participou, ainda, como orientador e palestrante de programas de pós-graduação na ESALQ-USP, no Instituto Biológico de São Paulo, no Instituto Agronômico de Campinas, na Universidade de Brasília, na EMBRAPA/Alimentos (CTAA). Por último, colaborou com o Curso de Pós-Graduação em Fitotecnia da UFRRJ.

 Feitos relevantes:

 Possui vasto círculo de amizade com colegas das principais instituições estrangeiras de ensino e pesquisa em Agronomia.  No Brasil, teve participação direta na formação de grande número de pesquisadores, dentre os quais podem ser destacados: Arnaldo Gomes Medeiros, Avelino Carvalho Filho, Hiroshi Nagai, Júlio Rodrigues Neto, Claudio Lúcio Costa, Raul de Lucena Duarte Ribeiro, Luiz Antônio Barreto de Castro, Sérgio Batista Alves, Shinobu Sudo, Fujio Akiba, Osamu Kimura, Armando Takatsu, Oswaldo Paradella Filho, Rosa de Lima Ramos Mariano e João Sebastião de Paula Araujo.

Recentemente, o Prof. Robbs compôs sua autobiografia, publicada no Volume 8 da Revisão Anual de Patologia de Plantas (2000).

No decorrer de sua vida profissional, realizou inúmeros trabalhos e publicou centenas de artigos científicos, envolvendo a identificação e o controle de doenças e pragas das plantas cultivadas. Merece destaque a constatação de novas ocorrências de fitobactérias no Brasil. Isolados bacterianos obtidos de suas investigações estão hoje depositados em coleções como à Coleção Internacional de Bactérias Fitopatogênicas, em Davis, California (International Collection of Phytopathogenic Bactéria). Alguns desses isolados são ainda considerados “tipos” de espécies ou patovares e constam de diversos catálogos internacionais. Xanthomonas axonopodis pv. manihotis, a primeira fitobactéria descrita no Brasil, por Berlhet & Bondar, em 1915, é um exemplo.

Em Angers, França, durante a IV Conferência Internacional de Bactérias Fitopatogênicas, participou da proposta de criação do termo infrasubespecífico “Patovar”, juntamente com J.M Young, D.W. Dye, J.F. Bradbury e C.G. Panagopoulos,  todos fitobacteriologistas renomados (Young et al., 1978).

 Informações complementares:        

Dentre as honrarias e distinções recebidas pelo Prof. Robbs, citam-se:

– Presidente da Sociedade Brasileira de Fitopatologia (1979 e 1980); e da Sociedade de Olericultura do Brasil (1967);

– Diploma de SERVIÇOS RELEVANTES EM PRIMEIRO GRAU, pelo Exmo. Sr. Governador do Estado do Rio de Janeiro, por ocasião de sua aposentadoria;

– Agraciado com a Medalha de Mérito Agronômico do Brasil, pelos relevantes serviços prestados à agricultura nacional; pela Fed. Das Assoc. Eng. Agrônomos do Brasil, 1975;

– Prêmio JEEP DE BRONZE, pelos serviços prestados a olericultura brasileira, conferido pela EMATER- MG  (1976);

– Prêmio Arnaldo Gomes Medeiros, pelos estudos e contribuições no campo da fitobacteriologia, conferido pela Soc. Bras. de Fitopatologia (1980);

– Medalha comemorativa dos 30 anos do CNPq, pela inestimável contribuição prestada a pesquisa (1982).

– Prêmio Paulista de Fitopatologia, pela relevante contribuição à Fitopatologia em SP e no Brasil, 1987;

– PROFESSOR EMÉRITO da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro 1993;

– Prêmio Johanna Döbereiner 2003, conferido pelo CREA/RJ & AEARJ

– Medalha do Mérito do Sistema Confea/Crea 2007

 

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