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Nematologia & Botânica: taxonomistas estão desaparecendo

Interessante matéria de autoria de John Whitfield, intitulada “Superstars of Botany: rare specimens”, publicada na seção News da revista Nature de 25 de abril, trata do paulatino desaparecimento dos botânicos adeptos de estudos taxonômicos, com grande experiência de campo na coleta de plantas, que são depois descritas como novas espécies vegetais. É situação muito semelhante à observada em outras especialidades científicas, inclusive a Nematologia. Confira a seguir o texto já traduzido, aqui transcrito apenas em parte.

John Wood (ver foto abaixo) teve duas vezes malária e dengue uma vez. Raspou sanguessugas de suas pernas com um facão no Sudeste Asiático — “você deveria usar um cigarro aceso para isso, mas eu não fumo” —, seu carro foi roubado na Bolívia e teve de enfiar a cara no chão do deserto, enquanto tribos rivais do Iêmen trocavam tiros sobre a sua cabeça. Passou por tais inconvenientes no processo de coleta de mais de 30.000 espécimes vegetais durante 40 anos de viagens pelo mundo. Mais de 100 dos seus achados tornaram-se espécimes-tipo, aqueles a partir dos quais novas espécies são descritas. Esses números o elevam à condição de superstar entre os botânicos dedicados à taxonomia, coletores de plantas e potenciais descritores de novas espécies, ou seja, está entre os 2% deles mais destacados, que têm mais da metade dos espécimes-tipo presentes em algumas das coleções mais importantes do mundo.

Esses trabalhadores de elite ao nível de campo na área botânica provavelmente não totalizam 500 pessoas ao longo da história. Mas eles contribuíram muito ao conhecimento que os cientistas dispõem hoje sobre diversidade vegetal, ecologia e evolução e têm sido cruciais na corrida atual pela documentação de novas espécies de plantas em todo o mundo, antes que elas se percam devido a alterações climáticas, à dominância por espécies invasoras, ao desenvolvimento agrícola e/ou urbano e ao desmatamento.

Muitos botânicos acreditam que a era do pesquisador coletor está chegando ao fim, pois a pesquisa botânica vem se afastando paulatinamente da taxonomia e se movendo no sentido dos estudos moleculares, restando poucos postos de trabalho disponíveis aos investigadores ainda dispostos a passar longos períodos no campo, no geral em países tropicais, buscando um conhecimento enciclopédico de plantas. Ademais, vários países tropicais passaram a impor restrições à presença de pesquisadores estrangeiros e estão tentando desenvolver seus próprios conhecimentos botânicos a partir de cientistas nativos. “É possível que os dias de superstar dos pesquisadores coletores de plantas não-nativas estejam contados e que pessoas como eu constituam seus últimos exemplos,” diz Wood.

Como os pesquisadores coletores mais experientes estão desaparecendo, os botânicos estão a debater como preencher a terrível lacuna por eles deixada. Alguns pesquisadores, incluindo Wood, já estão treinando jovens botânicos bem qualificados em diversos países tropicais, ambientes em que supõe que um maior número de espécies novas possa vir a ser descoberto. Mas, outros pensam que talvez seja preferível, e mais eficiente, recrutar um grupo grande de coletores menos qualificados, desde que possam contar com o auxílio de modernos recursos tecnológicos.

“A verdadeira questão é: podemos trocar alguns taxonomistas botânicos, coletores de plantas de elite por um exército de entusiasmados coletores bem menos experientes?” pergunta Cam Webb, botânico da Universidade de Harvard com base em Bornéu, na Indonésia. O problema, na verdade, é de outra ordem, mais elevada, pois o que é decisivo de fato é o feeling diferenciado, a larga experiência que caracteriza os pesquisadores coletores ranqueados no topo da lista. “Os resultados mais interessantes são produzidos principalmente por pessoas que são capazes de reconhecer prováveis novas plantas pela simples aparência e o que esperar em termos de ocorrência delas em uma determinada área” diz Henk Beentje, um especialista em palmeiras tropicais em Kew Gardens, em Londres. “Eles, os coletores superstar, valem mais do que seus pesos em ouro.”

[ Para acessar a matéria original, em inglês, clique aqui ! ]

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