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Polêmica: censura à divulgação científica x terrorismo

              

O editor da revista científica Nature, Philip Campbell, criticou os atuais procedimentos para a avaliação e a censura de pesquisas médicas que poderiam ser utilizadas por terroristas e afirmou que tais práticas precisam ser revistas e aprimoradas. Dois estudos chamaram a atenção de agências de combate ao terrorismo. Um foi publicado na Nature (edição de 3 de maio) e o outro será divulgado em outra publicação do gênero – a revista Science. As duas pesquisas mostram que o H5N1 (vírus causador da gripe aviária) tem uma propriedade de mutação que poderia fazer com que se espalhasse fácil e rapidamente entre a população humana.

Os estudos fizeram com que o Conselho Nacional de Segurança para a Biotecnologia dos Estados Unidos pedisse às publicações que retirassem algumas partes das pesquisas, pois acreditava que alguns trechos poderiam fornecer informações para que terroristas fabricassem armas biológicas.

Parte da comunidade científica argumentou que os benefícios da publicação dos estudos por completo superavam os riscos de que tais informações caíssem nas mãos de terroristas. O propósito do trabalho, disseram os contrários à censura, é ajudar no desenvolvimento de uma vacina e para rastrear a disseminação da doença. Alguns consideraram o ato uma quebra da liberdade acadêmica.

O Conselho, por sua vez, pediu que seja encontrado um modo para que o material apagado chegue aos pesquisadores. Mas discussões mediadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) concluíram que não há um modo prático de tornar isso possível, ao menos em um prazo razoável. Assim, ambas as revistas decidiram publicar os estudos.

Falando pela primeira vez no assunto, Campbell disse que o atual procedimento para estabelecer tipos de censura sobre pesquisas médicas é “muito, muito problemático”. “Se vamos tomar o caminho da censura, como decidir quais pesquisadores terão acesso a informações vetadas? E como podemos assegurar que, uma vez que estejam na Universidade, essas informações não vão vazar?”, questiona. Ele também acredita que o Conselho foi muito duro em recomendar a censura das pesquisas: “O processo foi muito fechado. Os envolvidos conversavam apenas por telefone e não houve consultas aos pesquisadores e a outros especialistas”. 

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2 Respostas
  1. Breno F. disse:

    Todo excesso é ruim, seja de preocupação ou de cautela. Não vamos exagerar, como nesse caso. BF

  2. JJ Magrini disse:

    Esses caras dos States metem o dedo em tudo. Incrível.

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