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Revistas brasileiras ainda têm baixo impacto internacional

Revistas brasileiras ainda têm baixo impacto internacional

O número de revistas científicas brasileiras em índices internacionais, como o Journal Citation Report, vem aumentando nos últimos anos. Entretanto, o fator de impacto – o número médio de citações dos artigos científicos publicados em um periódico – ainda é baixo e não atingiu a média mundial. A última edição do JCR, já com dados de 2011, mostra avanços significativos, mas revela também a persistência de condições e barreiras que dificultam o aumento do impacto dos periódicos nacionais.

Entre os avanços, destacam-se dois periódicos nacionais com fator de impacto (FI) maior que 2, Clinics e Memórias do Instituto Oswaldo Cruz. Também, um aumento de 11 para 16 no número de periódicos com FI maior que 1. Mas o conjunto dos 111 títulos indexados no JCR revela desempenho baixo, pois a maioria permanece com FI abaixo da mediana em suas áreas temáticas.

“O número de periódicos brasileiros no JCR aumentou 240% no período de 2007 para 2010”, disse Abel Packer, membro da coordenação do programa SciELO. “Mas a média da quantidade de citações em 2011 em comparação com 2010 caiu 21%, uma queda alta e que tem diversas razões, como o fato de se tratar de uma coleção de periódicos jovem internacionalmente e publicada predominantemente em português.”

De acordo com especialistas, um dos fatores que também contribui para a baixa citação internacional dos artigos científicos brasileiros é a pouca participação de cientistas de outros países nesses trabalhos. Publicados em grande parte em revistas nacionais, 85% dos artigos científicos brasileiros têm também afiliação local – são publicados por pesquisadores do próprio país, sem a participação ou colaboração com cientistas estrangeiros.

Segundo Packer, o nível de colaboração internacional nos artigos publicados em periódicos científicos nacionais é mais ou menos igual e varia entre 6% e 8%. Mas em todos eles a presença de autores estrangeiros como único autor do artigo ou em cooperação aumenta o número de citações. Uma análise comparativa sobre a rota de publicação de artigos científicos de 12 países, sendo seis desenvolvidos (Inglaterra, França, Canadá, Holanda, Suíça e Espanha) e seis emergentes (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e Coreia do Sul), realizada por Rogerio Meneghini, coordenador científico do SciELO, com base em publicações dos países no Web of Science em 2010 e citações correspondentes até setembro de 2012, demonstrou que os artigos em colaboração internacional recebem, em média, mais citações do que os endógenos (do próprio país). E o aumento de citações é bem superior aos países em desenvolvimento.

Países emergentes como o Brasil também têm em seus periódicos nacionais uma forma de fazer com que sua produção científica, que não recebe espaço nos periódicos internacionais, seja escoada. Por isso, é preciso melhorar os periódicos nacionais para melhorar o conjunto da produção científica brasileira. “O Brasil publica 29% de toda a sua produção científica indexada em periódicos nacionais contra 12% da França, por exemplo. A presença dos periódicos nacionais é muito maior e requer, portanto, políticas e ações para que o seu impacto seja mais positivo”, disse Packer.

De modo a continuar apoiando o desenvolvimento de revistas científicas brasileiras, o financiamento do Programa SciELO vem sendo renovado, com pareceres positivos sobre os resultados. Atualmente, o SciELO possui 254 títulos e registra uma média de 1,06 milhão de downloads por dia, sendo 63% em PDF e 37% em HTML. No fim de julho, a FAPESP e a Divisão de Propriedade Intelectual e Ciência da Thomson Reuters firmaram um acordo para integrar a base do SciELO à Web of Knowledge, a mais abrangente base internacional de informações científicas. “Isso deverá ajudar as revistas científicas que estão no SciELO a terem mais visibilidade”, disse o Dr. Carlos Brito Cruz, diretor científico da fundação.  (Agência FAPESP / out. 2012)

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