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Patrimônio científico britânico a perigo: Royal Institution

       

O imponente prédio da Royal Institution of Great Britain – um ícone da ciência ocidental – foi posto à venda. O anúncio, feito no último dia 17 pelo presidente da instituição, foi recebido como duro golpe pela comunidade científica do país e pelos que nutrem algum tipo de simpatia pela história e divulgação da ciência. Não é para menos. Criada em 1799 por um grupo de cientistas britânicos para a produção e disseminação do conhecimento, a instituição foi palco de capítulos importantes da história da ciência, como as famosas conferências-espetáculo de Michael Faraday sobre eletricidade. Ademais, nesse prédio, onde trabalhou mais de uma dúzia de prêmios Nobel, foram descobertos uma dezena de elementos químicos, o gerador elétrico e a estrutura dos cristais.

Algumas vozes dissonantes, porém, veem a crise da RI como um sinal de que não há mais espaço para o tipo tradicional de divulgação científica oferecido pela instituição, fortemente apoiado em conferências presenciais. Vai nessa direção o editorial da Nature publicado no último dia 25, de que, na época de criação da entidade, a ciência era novidade e atividades de divulgação voltadas ao grande público praticamente inexistiam. No contexto atual, porém, com a ciência cada vez mais presente no cotidiano das pessoas e iniciativas de disseminação cada vez mais numerosas e inovadoras – presenciais e virtuais –, a RI teria se tornado simplesmente obsoleta. O texto vai além e sugere que o Museu de Ciência de Londres, moderno, atraente e bem-sucedido, deveria herdar o rico acervo histórico de equipamentos científicos e documentos da RI caso o prédio seja realmente vendido.

Não se sabe o que ofendeu mais: ter tachado a RI de obsoleta ou a ideia de ter suas peças transferidas para um museu. Fato é que o editorial causou quase tantos protestos e indignação quanto o anúncio da venda do prédio. Polêmica e triste, a questão deverá ter um fim nas próximas semanas. A conferir qual será.

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