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Minoru Ichinohe: o “pai” do nematoide de cisto da soja e minhas reminiscências de sua passagem pelo Brasil

O Dr. Minoru Ichinohe, cujo nome é familiar à maioria dos fitonematologistas por ter sido o descritor de Heterodera glycines, o nematoide de cisto da soja, no início dos anos 1950, ao lado de sua reconhecida contribuição à melhor compreensão dos danos causados por essa espécie à sojicultura realizou outros tipos de estudos de interesse. Para o desenvolvimento de um deles, veio ao Brasil em novembro de 1974 e aqui permaneceu por cerca de 70 dias, em visita técnica patrocinada pelo Tropical Agriculture Research Program of the Ministry of Agriculture and Forestry of Japan .

Nesse período, seguindo itinerário e programa técnico sugerido pelo Drs. mich01Luiz G. E. Lordello e Ailton R. Monteiro (da Esalq/USP; com ele na foto), teve ocasião de visitar instituições públicas e privadas de ensino, pesquisa e extensão nos estados de São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco, Pará, Amazonas e no Distrito Federal. Esteve em várias cooperativas agrícolas e empresas comerciais, além de  colonias rurais mantidas por núcleos de imigrantes japoneses.

Numa dessas colonias, em Tomé-Açu, no Pará, conduziu investigação científica relativa à participação de nematoides no problema fitossanitário então referido como “declínio da pimenteira” (disease of black pepper). A espécie que verificou estar envolvida na doença complexa era Meloidogyne incognita e um artigo sobre o seu manejo integrado foi publicado durante a década de 1980.

mich03O Dr. Ichinohe teve contato com muitos nematologistas brasileiros em suas andanças, revelando personalidade agradável e cativante. Seu inglês verbal não era tão fluente quanto o escrito e, em razão disso, falava pouco além do necessário. Um de seus olhos era de vidro. Fui seu cicerone durante dois dias, em janeiro de 1975, quando conversamos sobre Fitonematologia e muitos outros temas. Marcou-me especialmente um de seus comentários, feito quando o levei para almoçar no então famoso Restaurante Mirante, de Piracicaba (SP). Na entrada, ele parou e disse que não teria recursos para ali tomar refeição, só aceitando após esclarecer que era meu convidado. Afirmou, então, não entender como eu, um pesquisador ‘novato’, podia mich04arcar com despesas que ele, com mais de 25 anos de carreira, só se dava ao luxo de realizar uma vez ao ano no Japão. Presenteou-me com gravura típica de sua terra (ver acima), autografada no verso (ao lado), recordação que  guardo com carinho. (Col.: Luiz C. Ferraz)

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