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Dario M. Hiromoto: pesquisador e cidadão prestante

                    

Paranaense de Bela Vista da Conceição, Dario Minoru Hiromoto foi exemplo de cidadão e pesquisador. Graduado engenheiro-agrônomo pela ESALQ/USP/Piracicaba em meados dos anos 1980, buscou aperfeiçoar-se na área de melhoramento genético vegetal, cursando logo em seguida o mestrado e o doutorado na mesma instituição. Nesse período, atuou como melhorista no Centro de Tecnologia Copersucar (1988-1989) e na Embrapa/Soja-Rondonópolis (1990-2000). Os nematoides prejudiciais à soja,  especialmente Heterodera glycines (NCS), mereceram a sua atenção, colaborando na obtenção e avaliação a campo das cultivares resistentes produzidas pela Embrapa.

Orgulho-me de ter sido por ele convidado a compor a banca examinadora em sua defesa de tese (1996), orientada pelo Dr. Natal A. Vello, cujo título era “Seleção de genótipos de soja para performance agronômica e resistência a Heterodera glycines Ichinohe e a Diaphorte phaseolorum f.sp. meridionalis Morgan-Jones”. Caçula de onze irmãos, o ato foi prestigiado por grande parte de sua família, que testemunhou seu bom desempenho e segurança nas respostas às questões formuladas. Na checagem dos ajustes à versão final da tese, tivemos ocasião de discutir calmamente, por toda uma tarde, os problemas sanitários da soja daquela época, nematológicos inclusive, quando pude me certificar de sua sólida formação sobre o assunto, de sua intensa atividade junto aos colegas da Embrapa/Soja-Londrina e de seu entusiasmo incomum em relação ao desenvolvimento da cultura no Mato Grosso.

Sentindo que poderia oferecer ainda mais à sojicultura matogrossense do que como pesquisador da Embrapa, abriu mão de seu cargo público e, radicando-se em Rondonópolis, tornou-se um dos criadores da Fundação MT, entidade que dirigiu por muitos anos, desde os difíceis primeiros tempos até a fase de maior visibilidade e plena aceitação.

Autêntica liderança na agricultura matogrossense, benquisto e respeitado por todos que o conheceram, deixou-nos precocemente, aos 46 anos, em outubro de 2009, abrindo lacuna impossível de ser preenchida. Sua morte causou grande comoção e muitas homenagens lhe foram prestadas em Rondonópolis nessa ocasião. Por sua contribuição à Fitonematologia do Brasil, legada principalmente na forma de pesquisas sobre o controle varietal e manejo integrado de H. glycines e outros nematoides parasitas da soja, e por sua trajetória exemplar como pesquisador e cidadão, fica aqui lembrança à sua figura para os que não tiveram o privilégio de conviver com ele.  

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