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O número de artigos “despublicados” por fraude e/ou erro continua a crescer: mais um incrível e bizarro relato!

morfrau

Nunca tantos artigos científicos foram publicados e nunca foi tão fácil ter acesso a eles de graça. São ótimas notícias, mas dois levantamentos recentes indicam que o efeito colateral desses avanços é uma explosão no número de estudos fraudados, plagiados ou apenas muito ruins. Isso pode ser medido pela análise das “retratações”, ou seja, pesquisas “despublicadas” por problemas éticos ou por conterem erros.
Em artigo na revista científica PLoS One, pesquisadores dos EUA apontam que, de 2003 a 2012, o número de retratações (1.333, na base PubMed) foi quase o dobro daquele observado entre 1973 e 2002 (= 714). A produção cadastrada na base PubMed, dos anos 1970 para cá, quase quadruplicou, mas os artigos retratados cresceram em ritmo mais forte, chegando a quase seis vezes.
O que causou grande impacto há pouco tempo, todavia, foi um outro levantamento, feito de modo “rocambolesco”. O jornalista norte-americano John Bohannon, do periódico Science, enviou diversas versões de um estudo forjado para 304 revistas de acesso livre (open-access). O resultado foi que quase metade delas (= 157) aceitou publicar a pseudopesquisa, entre elas a brasileira Genetics and Molecular Research, cujo editor-chefe alega ter havido erro de interpretação.

Os estudos submetidos por Bohannon seguiam uma fórmula simples, mas crível: a molécula X, extraída de um líquen Y, inibe o crescimento de células de câncer do tipo Z (um programa de computador criava os dados que suportavam variações desse tema). Segundo a empresa Science, o objetivo do “trote” foi o de evidenciar a existência de um submundo de revistas científicas open-access ditas “predatórias”, no geral localizadas fora da Europa e EUA, que estariam usando o pretexto do livre acesso para ganhar dinheiro.

Além de identificar o crescimento dos artigos “despublicados”, a pesquisa da PLoS One evidenciou outras tendências significativas. O perfil de quem tem artigos retratados, por exemplo, mudou. Até 1990, a maioria dos autores o fazia várias vezes, qual mentirosos contumazes. Hoje, mais de 60% das retratações está ligada a pesquisadores que nunca tinham sido exposto a isso antes.”Cientistas mais jovens podem não ter sido integrados de modo correto ao funcionamento do ambiente científico, seja por falta de mentores mais cuidadosos, seja pelo atual excesso de pressão a que são submetidos para publicar”, afirma Grant Steen, líder da pesquisa. Uma faceta positiva observada diz respeito ao fato de que o prazo para retratação de um artigo, que era de mais de quatro anos antes de 2002, reduziu-se atualmente, passando a dois anos. Ainda segundo Steen, “isso pode ser um sinal de recuperação do sistema científico, porém se a taxa de retratações continuar a aumentar, será o caso de ficarmos realmente preocupados”. (original da Folhapress, apenas reproduzido no site da SBN, sem representar apoio desta às afirmações expressas no texto). 

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