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Nematoides x hortaliças: Ricardo Gioria sabe das coisas !

Nematoides x hortaliças: Ricardo Gioria sabe das coisas

O Dr. Ricardo Gioria, fitopatologista da Sakata Seed Sudamerica, de trajetória acadêmica (graduação e pós-graduação) desenvolvida na ESALQ/Piracicaba, ao longo de seus 12 anos de atuação na empresa acumulou larga experiênciarigio14 no trato dos vários problemas sanitários que acometem hortaliças no Brasil, inclusive as fitonematoses. Foi escolhido recentemente para compor o comitê de Patologia de Sementes da FIS (Federação Internacional de Sementes), sendo o primeiro brasileiro a ocupar posição tão honrosa dentro do órgão. Ele sabe, e muito, das coisas em se tratando de doenças (e pragas) de hortaliças e flores de alto valor comercial, participando de projetos de pesquisa junto a instituições públicas e publicando artigos científicos com regularidade. Ele atendeu ao site da SBN, respondendo a algumas perguntas sobre “nematoides x hortaliças”. Confira abaixo a breve entrevista concedida.

1) Ao nível mundial, quais as porcentagens de perdas hoje estimadas em hortaliças devido ao parasitismo por nematoides? Em termos monetários, quanto isso representaria? R: As últimas informações mencionam de 12% a 15% de perdas, o que, em termos monetários, representam valores da ordem de US$ 100 bilhões de dólares.

2) Na Sakata Seed Sudamerica, quais culturas, tidas como carros-chefe pela empresa em termos comerciais no Brasil, enfrentam maiores problemas devidos a fitonematoides? Os nematoides de galhas (Meloidogyne spp.) são as espécies mais importantes para elas? R: Sem dúvida são as solanáceas, com ênfase em tomate. O principal gênero é Meloidogyne, em especial M. incognita raças 1, 2, 3 e 4 e M. javanica. Mas, não podemos esquecer que mais uma espécie, M. enterolobii, vem assumindo importância recente, principalmente em cultivo protegido. 

3) É verdade que, em certos casos, como no do tomate para salada, a resistência dos híbridos a nematoides (Meloidogyne spp.) constitui hoje praticamente requisito obrigatório, indispensável, visando ao lançamento comercial? R: Sim, a resistência a M. incognita raças 1, 2, 3 e 4 e a M. javanica hoje é mandatória para o mercado de tomate no Brasil e mais de 80% dos híbridos apresenta tal resistência. Praticamente, é um pré-requisito para muitas áreas produtivas no ato de lançamento de um novo híbrido. 

4) Cerca de 10 anos após a verificação de que M. enterolobii representava nova e séria ameaça a pimentões e outras hortaliças no Brasil, o que se conseguiu avançar em relação a essa espécie em termos de melhoramento genético visando à resistência? R: Hoje, dentro das hortaliças, ele é mais comumente encontrado em solanáceas. Infelizmente, em termos de melhoramento genético, esta espécie continua sendo um desafio na busca de materiais que apresentem resistência. 

5) Dr. Ricardo, dada a experiência que acumulou no trato com vários fitopatógenos ao longo de 12 anos de atividades na Sakata, como você posiciona, atualmente, os nematoides quanto à importância no contexto dos problemas sanitários das hortaliças? R: As empresas, universidades, centros de pesquisa e agências de fomento devem entender que nematoides em hortaliças, quando comparados a outros patógenos, como bactérias, fungos e vírus, causam problemas de igual ou maior magnitude, principalmente em regiões tropicais. Devem ser tratados com esta importância e não ser relegados, como muitas vezes observamos, a um segundo plano. No entanto, o que podemos notar hoje, no Brasil, é que o conhecimento acadêmico e prático da interação nematoides/hortaliças, para a maioria das espécies, ainda está aquém daquele disponível para as grandes culturas.

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