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Revistas de menor impacto estão recebendo mais atenção

REVISTAS DE MENOR IMPACTO ESTÃO RECEBENDO MAIS ATENÇÃO – por Helton Escobar (Estadão)

Trabalhos publicados em revistas de alto impacto são mais visíveis e têm maiores chances de serem citados; isso é fato. Nem tudo, porém, está perdido para aqueles que publicam seus trabalhos em revistas mais modestas; como é o caso da maioria dos cientistas brasileiros. Dados de um levantamento feito pela equipe do Google Scholar mostra que o número de trabalhos publicados em revistas de menor impacto e que aparecem entre os mais citados do mundo vem crescendo substancialmente nos últimos anos.

Eles olharam para os anos de 1995 a 2013 e elaboraram duas listas: uma com os mil artigos mais citados em cada ano do período, em seis grandes áreas do conhecimento; e outra, com as 10 revistas de maior impacto (maior número de citações) no mesmo período, consideradas como o “grupo de elite” da literatura científica mundial.

Depois, compararam essas duas listas e observaram que o número de trabalhos (entre os 1.000 mais citados) que foram publicados em revistas de fora do “grupo de elite” aumentou de 149 para 245 — um crescimento de 64%. Ou seja: a maior parte dos artigos mais citados continua vindo das revistas de maior impacto (“a elite”), mas a participação de trabalhos publicados em revistas de menor impacto no grupo dos “top mil citados” aumentou de quase 15%, em 1995, para cerca de 25%, em 2013.

Outro resultado interessante do estudo, que indica a mesma tendência, é que o número de citações atribuídas a trabalhos publicados em revistas “não elite” em 2013 foi equivalente a 47% (quase metade) do total de citações da literatura científica naquele ano, comparado a 27%, em 1995. Ou seja: os cientistas não só estão publicando mais artigos de melhor qualidade em revistas de menor impacto, como esses artigos estão sendo mais notados e citados pela comunidade científica como um todo. Mesmo que o trabalho não seja publicado numa revista do chamado “grupo de elite”, pode se tornar publicação de grande impacto por conta própria, se tiver qualidade e relevância suficientes para isso.

É uma boa notícia para os cientistas brasileiros, que ainda têm grande dificuldade para emplacar trabalhos nas revistas de maior impacto, por diversos motivos — entre eles, o baixo grau de internacionalização e relevância global da ciência nacional.

Quanto mais estrangeiros, maior o impacto

E aliás, falando em internacionalização: Um artigo publicado dias atrás na revista PLoS One reforça ainda mais a tese de que quanto mais internacionalizado for um projeto de pesquisa, melhor. Os autores (entre eles Emilio Bruna, um ecólogo mexicano com fortes raízes científicas no Brasil) revisaram

as estatísticas bibliográficas de 1,25 milhão de artigos publicados entre 1996 e 2012, em oito áreas do conhecimento (física de matéria condensada, matemática, química analítica, genética e hereditariedade, ecologia, evolução, psicologia e geologia) e demonstraram, estatisticamente, que quanto maior o número de países representados entre os autores de um trabalho, maior a chance desse trabalho ser publicado numa revista de alto impacto e de ele ser mais citado — mesmo se publicado numa revista de menor impacto.

“As colaborações internacionais aumentam muito o impacto individual dos pesquisadores”, disse Bruna ao Estado. “Precisamos enfatizar isso. As implicações para os cientistas, agências de financiamento e governos são claras: com quem você colabora é importante, mas não há dúvida de que a promoção da colaboração internacional traz uma série de benefícios importantes para os pesquisadores que, no final, se traduzem em maior visibilidade científica, qualidade, e impacto.”

No caso da Ecologia, segundo ele, o estudo mostra que o impacto (medido pelo número de citações) dos trabalhos brasileiros nessa área tende a ser maior do que o esperado para as revistas nas quais eles são publicados — o que corrobora, também, o cenário descrito pelo estudo do Google Scholar. “Ou seja, os ecólogos brasileiros não chutam alto o suficiente na hora de submeter seus trabalhos. Precisam tentar as melhores revistas possíveis”, avalia ele.

O estudo da equipe do Google Scholar foi divulgado no site pré-publicação arxiv.org (ainda sem revisão por pares) e pode ser obtido aqui.

O estudo de Bruna e colaboradores na PLoS One pode ser acessado aqui.

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