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Hilariante ou de revirar o estômago: ciência ridicularizada

Há alguns anos, vimos assistindo a uma degradante sucessão de relatos de uso de maus procedimentos (plágio, auto-plágio, auto-citação, criação de dados artificiais etc.) no preparo e submissão de artigos científicos a periódicos de todo o mundo. E o terrível é que muitos deles acabam publicados, por vezes sendo alvos de medidas corretivas posteriores como retratação pelos autores e/ou exclusão pela editora. Todavia, situações de verdadeiro achincalhe tem sido divulgadas mais recentemente, a partir da geração de falsos artigos, com conteúdo 100% desconexo, criados a partir de certos programas (como o SCIgen), que acabam aceitos em pouco tempo e subsequentemente publicados em revistas “científicas”. No geral, mas não de modo exclusivo, tratam-se de revistas ditas “predatórias”, que buscam unicamente ganhos financeiros e não contam com corpo editorial qualificado ou o crédito da comunidade científica.

Um caso bem recente de publicação dessa natureza, em que a ciência foi mais uma vez ridicularizada, deve-se ao engenheiro Alex Smolyanitsky, que criou um falso manuscrito intitulado “Configurações difusas e homogêneas” e o submeteu aos periódicos Journal of Computational Intelligence and Electronic Systems e Aperito Journal of Nanoscience Technology, usando Margaret Simpson como nome do primeiro autor (aka. Maggie Simpson, pseudônimo da conhecida personagem da série de TV “Os Simpsons”), Kim Jong Fun (líder político da Coreia do Norte) como segundo e Edna Krabappel (outra personagem de Os Simpsons) como terceiro. Incrivelmente, o artigo foi aceito por ambas as revistas e já publicado pela última (veja abaixo). Apesar de absurda e notória fraude, o Aperito Journal of Nanoscience Technology continua enviando uma conta no valor de US$ 459 para Smolyanitsky pagar!

Estudo criado em gerador de lero lero

A cultura de “publish or perish” (publique ou morra) – que mede o sucesso de cientistas pelo número de pesquisas que publicam – é uma das grandes responsáveis pelo crescimento assustador na prática de ações condenáveis perpetradas por parte deles e pela proliferação de revistas sem credibilidade. Porém, nem mesmo as revistas supostamente respeitáveis estão livres de problemas. Este ano, as editoras Springer e IEEE removeram mais de 120 artigos após descobrirem que cada um deles era jargão gerado automaticamente por computador. Então antes de confiar em pesquisas científicas, melhor ficar de olho na fonte. (excerto de matéria do site Vox – Health and Science, com texto original de Felipe Ventura, aqui adaptado).

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