Performancing Metrics

Tratamento diferenciado na publicação de artigos ?

scinsider

A controvérsia sobre o ‘fast-track peer review’

Em um tweet na semana passada (26 de março), o biogeógrafo Mark Maslin, da University College London (UCL), informou sua demissão dos cargos de editor voluntário e membro do painel consultivo editorial do Scientific Reports, um periódico de acesso aberto (open-access) do Grupo Editorial Nature (NPG), depois que a revista anunciou que está em vias de instituir uma política (fast-track peer review) que irá permitir que os autores paguem a empresas privadas para poderem contar com revisão por pares mais acelerada de seus manuscritos submetidos. “Minhas objeções se devem ao fato que tal novo modelo vem estabelecer um ‘sistema com dois níveis’, e em vez de se contar, como até agora, com a melhor ciência sendo publicada após apreciação por especialistas durante um tempo tido como aceitável, poderá acontecer de passar a ocorrer um favorecimento aos grupos de pesquisa dotados de maiores aportes financeiros” declarou Maslin ao site ScienceInsider. “A publicação de trabalhos acadêmicos e artigos científicos está passando por uma revolução e concordo que devemos estar prontos a encarar alguns ‘solavancos’ ao longo do caminho. Este, porém, senti que não podia aceitar.”

Revisão “privada” por pares é hoje uma indústria multimilionária, com vários periódicos oferecendo tal serviço, pelo qual os autores podem acelerar a tramitação de seus manuscritos através do processo — obviamente, por um preço. Na semana de 24 de março, o Scientific Reports anunciou que começara a oferecer tal “revisão acelerada por pares” ao custo de US $750, através do serviço Rubriq, que paga a seus revisores 100 dólares por revisão (aliás, a Rubriq também oferece serviço de pre-revisão por experts a autores que pretendam “refinar” seus textos antes de submetê-los a uma determinada revista).

Nandita Quaderi, diretora de publicações do NPG, defendeu o novo procedimento no blog ‘Of Schemes and Memes’, mantido pela Nature, afirmando: “Desnecessário dizer que um autor, ao optar pela “revisão acelerada”, só terá como benefício uma decisão mais rápida sobre o material submetido. A introdução desse serviço não deverá ter qualquer influência sobre o nosso processo de decisão editorial.”

Maslin, todavia, ao contrário de Quaderi, mostrou-se preocupado o suficiente para desistir. “Uma análise crítica bem fundamentada, que reflita devidamente a consideração do revisor em relação ao manuscrito submetido, é muito mais importante que a velocidade da revisão e/ou que o tempo total que o processo demande”, disse ao ScienceInsider. “Houve artigos meus que ficaram melhores após comentários críticos bastante pertinentes pelos revisores escolhidos e valorizei muito isso, indiferente ao tempo que tal processo me tenha tomado.” E ele não está sozinho. “Eu me preocupo com as implicações e resultados que tal política possa vir a ter.” afirmou a pesquisadora Georgina Mace, também da UCL e do painel consultivo editorial do Scientific Reports à Nature. “Em algumas áreas da ciência, as pessoas têm acesso bem mais fácil a recursos financeiros, que podem inclusive usar para esse tipo de coisa, enquanto em outras áreas tal não ocorre. Preocupo-me muito com essa situação que se está criando, de duas camadas, de duas categorias, de dois níveis.”

Você pode receber todas as mensagens assinando nosso RSS 2.0 feed. Você pode deixar uma resposta, ou voltar para a página principal.
Deixar uma resposta

XHTML: Você pode usar estas tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

*