Performancing Metrics

“A maré das métricas” e “Uma praga: os artigos de segunda”

Duas matérias recentes, publicadas nas revistas Pesquisa FAPESP e Veja, ressaltaram fatos já bem conhecidos e muito preocupantes acerca do ambiente científico mundial da atualidade.

Em “Uma praga da ciência brasileira: os artigos de segunda“, da Veja, a enxurrada de manuscritos de baixa qualidade – ou mesmo intencionalmente falsos – aceitos para publicação em periódicos nacionais e estrangeiros que visam apenas ganhos financeiros, sem mínimos cuidados na avaliação dos conteúdos, foi alvo de análise crua e extremamente dura. Nesse particular, têm sido principalmente acusadas de atuar dessa metrics01forma muitas das revistas open access, desprovidas de corpo editorial qualificado, não usuárias do sistema de revisão por pares (peer review) e prontas a disponibilizar artigos na Internet com rapidez mediante pagamento de polpudas taxas de publicação. O texto deixa clara a existência de periódicos open access que fogem de tal comportamento, seguindo as boas normas de conduta na avaliação dos manuscritos; modéstia à parte, a descrição se amolda muito bem ao que aconteceu com a “nossa” atual revista, a Nematoda, que, desde a sua recente criação, vem buscando primar pela seleção de trabalhos de bom nível através de avaliação por revisores experientes indicados por editores-associados de renome. Confira!

A outra ótima reportagem, “Cuidado com a maré (das métricas)“, da Pesquisa FAPESP (texto de Fabrício Marques), trata de relatórios metrics02bem recentes produzidos por instituições do Reino Unido e de outros países alertando para a clara inadequação do uso indiscriminado e excessivo de indicadores visando à avaliação da produção científica de pesquisadores; um trecho da matéria cita que “Um exemplo desaconselhado é a utilização do fator de impacto de uma revista científica para definir a qualidade de qualquer trabalho nela publicado ou o mérito de seus autores”. Um dos entrevistados, Richard Jones, da Universidade de Sheffield (Inglaterra) afirma que “As métricas precisam ser escolhidas com cuidado e devem sempre suplementar e apoiar o julgamento de especialistas, em vez de substituí-lo”. Enfim, o texto traz uma sucessão de considerações e comentários muito interessantes a respeito dessa prática “quase obsessiva” de uso de indicadores quantitativos em que se transformou a análise da produtividade dos pesquisadores e de suas instituições ao redor do mundo. Algo que, por sinal, urge ser revisto!

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2 Respostas
  1. claudia disse:

    quem é esse homemzinho na poltrona?

    • admin disse:

      A charge é original da matéria, apenas a reproduzi. Deve ser um desanimado revisor de manuscritos submetidos ou decepcionado leitor de artigos muito fracos, a julgar pela quantidade de papel no chão …

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