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Trichinella spiralis: ontem e hoje, frequente e letal !

O nematoide zooparasita Trichinella spiralis (Owen, 1835) é bem conhecido da humanidade há muitos séculos como agente causal da triquinose ou triquinelose. Entre seus mais frequentes hospedeiros estão coelhos e, em especial, porcos e humanos. Ao consumir carne suína infectada (= contaminada) com cistos do nematoide, o hóspede humano se infecta e vermes adultos vão se formar no intestino. As fêmeas liberam juvenis que realizam migração ectópica indo se instalar em células do tecido muscular de diferentes órgãos ou regiões do corpo, no interior das quais se alojam em típica posição espiralada (ver foto abaixo), encistando após certo tempo. Após duas semanas sem sintomas aparentes, com a inflamação dos tecidos atacados, começa o doente a manifestar uma ampla variedade de sintomas que, por vezes, são graves e levam à morte.

Uma nota interessante (veja imagem/texto anexo) datada de 1866, publicada na revista Lancet, foi reproduzida na época pelo renomado periódico Scientific American, dando conta de que muitas mortes ocorreram em Hedersleben, na antiga Prússia, em decorrência de ingestão do verme a partir de carne de porco contaminada. Segundo o relato, um açougueiro desonesto teria percebido a infecção de um suíno doente e misturado a carne deste com a de dois outros porcos sadios colocando tudo à venda, o que levou muitos fregueses a comprar tal carne e a contrair a triquinose ao adquirir o nematoide inadvertidamente mediante o seu consumo. Tal açougueiro, condenado à morte, confessou o crime. Curiosamente, acabou morrendo antes da mesma doença, assim como sua esposa, que também consumira carne contaminada. Argh !  

Atualmente, nos Estados Unidos e em muitos outros países, há portarias coibindo a comercialização de carne suína contaminada por Imagem relacionadatriquinose, sendo rigorosa a inspeção nas indústrias do setor. Ações de controle semelhantes têm sido implantadas em países europeus e asiáticos, com paulatina melhoria nos dados sobre incidência em porcos e marcante redução nos casos observados com humanos. No Brasil, artigo científico de alguns anos atrás informava que o exame de amostras obtidas de 3774 carcaças suínas oriundas dos três estados da região Sul em abatedouro de Palmas (PR) não revelou um único caso de animal contaminado com juvenis de T. spiralis. Menos mal que, com o passar do tempo, aprendemos as lições deixadas e agora estamos a nos prevenir !

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