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O tão discutido e usado “Fator de Reprodução”: ei-lo !

O Fator de Reprodução, segundo Oostenbrink.

Considerável número de adeptos (pesquisadores e estudantes, principalmente) da Nematologia de Plantas já utilizou (ou ainda irá empregar) o chamado Fator de Reprodução (R) em alguns de seus estudos aplicados. Definido originalmente em publicação editada em 1966 (ver imagem abaixo), de autoria de Michel Oostenbrink, matemático/nematologista, passou a ser usado de forma cada vez mais ampla, sendo hoje generalizado o seu emprego e nem sempre com os cuidados devidos. Inclusive, grande parte de seus usuários sequer leu o trabalho original para conferir de que se tratava e as várias implicações que envolvem sua utilização de modo preciso. Por essa razão, e sendo artigo pouco acessível a muitos colegas lançado há mais de meio século, estamos anexando a este post arquivo PDF contendo excerto dele com as primeiras e principais páginas. Clique aqui para acessá-lo!

Trata-se de estudo mais matemático que nematológico na verdade, com formulação pelo autor de múltiplas situações hipotéticas a campo envolvendo diferentes gêneros de fitonematoides, destinadas a ilustrar os variados modelos de crescimento populacional e curvas reprodutivas ocorrentes em cada uma delas. O Fator de Reprodução (R = Pf/Pi), alvo de frequentes discussões entre nematologistas, deveria ser melhor entendido do que normalmente é, para que certas adaptações descabidas em seu emprego e algumas inferências indevidas não fossem mais inseridas em certos artigos publicados. A reprodução – aqui – do artigo original de Oostenbrink, em sua parte mais básica e relevante, tem justamente esse objetivo, o de propiciar a pessoas que hoje realizam pesquisas sobre fitonematoides de se familiarizarem melhor com o Fator de Reprodução e passarem a usá-lo com mais critério e maior embasamento técnico. Leiam, aprendam mais e utilizem o “R” com a adequada moderação, sem os exageros que por vezes se vê atualmente. Mas, continuem pesquisando e usando… (Colaboração: Andressa Machado)

Taxonomia integrativa: a premonitória reflexão de V. Ferris !

Todos os atores envolvidos na complexa problemática do manejo de fitonematoides – pesquisadores, docentes, fitossanitaristas de empresas públicas e privadas, produtores rurais, pós-graduandos, pós-doutorandos e estudantes/kids de iniciação científica – sabem que tal questão, indiferente às técnicas cogitadas para utilização no programa integrado de controle, passa necessariamente pela correta identificação da(s) espécie(s) ocorrente(s) nas áreas infestadas.

Até os anos 1960, tal diagnóstico era feito exclusivamente pelo método clássico, baseado no exame das características morfológicas, o que muitas vezes não se mostrava suficiente para identificações precisas, confiáveis. O advento de novas técnicas (bioquímicas, serológicas, moleculares), ocorrido de modo paulatino a partir dos anos 1970, evidenciou as possibilidades de evolução em tal atividade, permitindo que, para diversas espécies, os diagnósticos se tornassem fidedignos e comportassem graus bem menores de subjetividade. Porém, com exceção dos nematoides de galhas e de cistos, a incorporação dessas novas tecnologias se deu de modo muito tímido e, pior, alguns pesquisadores passaram a utilizá-las em substituição ao método clássico, e não associadas a este. Tais aspectos, somados ao fato de que expressivo número de especialistas na taxonomia/ sistemática de nematoides pelo método clássico vinha se aposentando e não sendo substituídos em suas instituições, levou a (recém-falecida) Dra. Virginia Ferris a publicar memorável artigo em 1994: The future of nematode systematics.

Esse artigo, já traduzido ao português e aqui disponível em boa parte como PDF, deve ser lido por todos os adeptos da Nematologia – docentes, pesquisadores e estudantes – pelo excelente e ainda bem atual conteúdo, por seu caráter incrivelmente premonitório e, acima de tudo, por representar instigante convite à reflexão sobre um problema que ainda hoje persiste – mundialmente – no âmbito da Nematologia. O descortino da autora resulta em proposta final – subliminarmente colocada, já em 1994 – de imperioso direcionamento futuro dos nematologistas a uma ampla utilização de todas as tecnologias disponíveis na diagnose das espécies de fitonematoides, ou seja, de uma combinação entre o método clássico e as demais técnicas, de introdução mais recente, mormente as bioquímicas e as moleculares. Em outras palavras, da hoje chamada Taxonomia Integrativa !

Felizmente, o libelo da Dra. Ferris, com forte componente emocional, começa a surtir efeito. Para que a taxonomia e a sistemática de nematoides sobrevivessem, algo teria de ser feito, proclamou ela, e parece que a Taxonomia Integrativa será o caminho para isso. Afinal, mesmo com a persistente diminuição no número de taxonomistas tradicionais por morte (há poucos dias, perdemos M. R. Siddiqi) ou aposentadoria, o número expressivo de ótimos artigos sobre a taxonomia/sistemática de fitonematoides publicados nos últimos cinco anos por equipes integradas por nematologistas já experientes e outros bem jovens, atesta esta afirmação. Entre vários exemplos, citamos as relevantes contribuições de Peraza-Padilla et al. para o gênero Xiphinema e de Kolombia et al. para Scutellonema, super recentes (2017) e imperdíveis. Em boa hora, e como preconizado pela Dra. Ferris, os nematologistas parecem ter constatado que: i) devem conhecer tantos métodos de identificação/diagnose quanto possíveis, para poder aplicá-los e/ou ensiná-los a seus estudantes; ii) que a Nematologia deve ser feita, ao máximo, por nematologistas; e iii) que havia, sim, uma luz no fim do túnel!