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Uma perda muito sentida por todos: John Sulston

No último dia 06 de março, morreu John Sulston (1942-2018), líder da contribuição britânica ao projeto internacional de sequenciamento do genoma humano. Sulston levou a sério a indiferença – vinda de seus pais – em relação à riqueza material e, graças ao seu desejo de trabalhar pelo bem comum, persuadiu financiadores e colegas pesquisadores a disponibilizar, gratuitamente, a sequência completa do genoma humano à comunidade científica mundial. Mas, para chegar ao genoma humano, John Sulston começou os estudos com um nematoide. Tanto que, em 2002, dividiu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina pela contribuição ao entendimento de como os genes controlam o destino das células no desenvolvimento de Caenorhabditis elegans.

Cursou Ciências Naturais na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, onde também se doutorou. O pós-doutorado foi na Califórnia, EUA, onde conheceu Francis Crick, codescobridor da dupla hélice do DNA. Crick o recomendou para uma vaga em Cambridge no Laboratório de Biologia Molecular, quando de retorno ao Reino Unido. Em 1969, Sulston se juntou a um pequeno grupo liderado pelo geneticista Sydney Brenner. À procura de organismo modelo que permitisse explorar as interações de genes, desenvolvimento e comportamento, Brenner escolheu C. elegans, com apenas 959 células quando adulto, mas tem intestino, sistema nervoso, gônadas e um repertório de comportamentos para se mover, se alimentar e se reproduzir. Esses estudos fizeram com que, mais tarde, em 2002, dividisse, com outros colegas, mais um Prêmio Nobel pelas pesquisas sobre a regulação genética do desenvolvimento de órgãos e morte celular programada.

As pesquisas de Sulston em genômica já vinham sendo levadas avante desde 1983 e, como ferrenho defensor do sistema de publicação de artigos com os dados abertos (open-access), em outubro de 2004, participou da publicação na revista Nature, disponível a toda comunidade científica, da sequência do genoma humano, com 99,99% de precisão. Depois disso, dedicou-se a escrever e falar em apoio ao sistema de publicações open-access e, mais amplamente, sobre a relação entre ciência e sociedade. Empolgado e articulado, conquistou o público com sua humildade e paixão pela ciência. Seu obituário está publicado na Nature 555: 588 (2018). [JMCC]