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RELEVANTE: “formar pensadores, não só especialistas”

Artigo muito interessante e instigante, de autoria de Gundula Bosch, vem de ser publicado há poucas semanas na revista Nature e tem sido, desde então, causa de inevitável controvérsia no ambiente científico. O artigo está em inglês bem acessível e sua leitura afigura-se muito adequada aos orientadores acadêmicos de todo o mundo, inclusive do Brasil, e aos pós-graduandos em geral, mas  em especial aos doutorandos, segmento diretamente visado pela autora já no título do trabalho. Para acessar/baixar o PDF do artigo, clique aqui!

Apoiada em dados recentes obtidos a partir experiências aplicadas a turmas de estudantes avançados de pós-graduação na área médica de sua instituição de ensino superior (Johns Hopkins University – Maryland, EUA),  a autora defende em seu artigo a opinião de que hoje em dia os orientadores científicos estão muito mais preocupados em formar apenas pesquisadores especialistas do que verdadeiros pensadores.  No artigo, são relatados detalhes sobre a experiência realizada, que incluiu (no currículo aos candidatos a PhD) a disponibilização de várias disciplinas não vinculadas apenas à área médica, mas também outras nas quais discussões mais amplas sobre Ética, Economia, Sociologia, entre outros temas de atualidade estavam contemplados. Como era de se esperar, a questão vem suscitando debates a respeito, com pontos positivos e negativos, na ótica principalmente dos orientadores, sendo alistados e comentados; restou claro, porém, que o valor dessa postura inovadora impactou a chamada Academia e que, aos poucos, passado o clamor inicial, muitos entenderam a necessidade de  refletir mais sobre o tema.

Em consonância com tal linha de atuação, é bom que se diga que, no âmbito da SBN, por deliberação em assembleia, já foi aprovado que pelo menos um tema de interesse geral – não nematológico – e de notória relevância à formação intelectual dos nossos kids (mestrandos e doutorandos) seja apresentado durante os congressos anuais, a partir do evento de Bento Gonçalves/2018 (35ºCBN). Confiram o artigo, docentes e pós-graduandos !

O libelo de Dyna: até quando o preconceito ?

Há muito tempo, são conhecidas históricas polêmicas protagonizadas por figuras de destaque do mundo das ciências em vista de diferenças de opinião sobre assuntos ou temas impactantes. Entre outros, são exemplos clássicos as disputas ocorridas entre cientistas sobre o heliocentrismo – o que levou à morte alguns deles, inclusive, durante a Inquisição – e a teoria evolucionista proposta por Darwin. Por piores que tenham sido alguns de seus desdobramentos, tais confrontos foram de certo modo conduzidos com justiça, ocorrendo amplo debate entre os contendores.

Por outro lado, situações de tratamento desigual, de preconceito ou mesmo de negligência nos meios acadêmico e científico também já sucederam – e ainda acontecem – e estas não devem ser toleradas, devendo ser denunciadas, combatidas e eliminadas. No âmbito da Nematologia, especialidade desdenhada no final do século XIX e início do século XX, tornou-se famoso o libelo publicado pelo eminente nematologista Nathan Cobb em 1931. Cansado de ler tantos erros sobre as características dos nematoides nos livros-textos de Zoologia Geral e de Biologia da época, Cobb redigiu esse manuscrito de forma extremamente agressiva, alistando em detalhes o grande número de equívocos cometidos em relação aos nematoides e a omissão dos autores frente aos sérios danos que causavam a animais e, principalmente, a plantas cultivadas; isso, sem falar das pesadas críticas que dirigiu a tais zoólogos e biólogos.

Pois bem, há mais de meio século, no mínimo, outra situação de tratamento injusto vem ocorrendo na área científica (incluída a Nematologia), mais precisamente no setor editorial, observando-se flagrante preconceito em relação aos pesquisadores do hemisfério Sul – o chamado Global South – quando submetem seus manuscritos à publicação em muitos periódicos internacionais. Isso sempre houve e qualquer cientista/nematologista brasileiro que atuou dos anos 1960 em diante viveu esse drama: a enorme dificuldade, ou barreira quase intransponível, de se publicar artigos como autor único ou como primeiro autor nas revistas mais celebradas; era bem complicado… Já a presença de um pesquisador bem conhecido, do dito “primeiro mundo”, entre os autores abria portas à aceitação e publicação do trabalho, quase sempre este figurando como o líder da equipe. E tal deformação, lamentável, persiste ainda hoje.

Tal qual Cobb há quase um século, a jornalista da Indonésia, Dyna Rochmyaningsih, especializada na cobertura da área científica, vem de publicar na prestigiosa revista Nature uma “carta desabafo” denunciando tal prática abusiva (até com evidência irrefutável), que persiste a permear no meio científico/editorial, contaminando-o e depreciando-o. É texto de “lavar a alma” aos que têm sofrido na pele tal preconceito, digno de ser lido/traduzido e guardado, mesmo que venha só a servir, no futuro, para mostrar a indignação que essa situação motivou. Clique na imagem acima e confira a carta em PDF!

Você viu ? Zika coloca Brasil em matéria da Nature

Desde 2015, a celeuma causada pelos efeitos decorrentes da doença viral aguda genericamente chamada de Zyka tem colocado o Brasil em destaque nos principais jornais, magazines e até periódicos científicos internacionais. Agora foi a vez de os editores da prestigiada revista Nature incluir matéria intitulada “Brazil’s birth-defects puzzle” na sua secção de Epidemiologia. Não é notícia sobre Nematologia, mas é assunto sério e traz à tona a preocupação mundial atual com as pesquisas sobre essa problemática tão ligada ao Brasil. Para conferir o interessante artigo, de autoria de Declan Butler, em formato PDF, clique aqui !