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Periódicos científicos: impacto maior pra sobreviver

Há uns 15-20 anos iniciou-se, no âmbito da editoria de publicações científicas, uma luta constante e terrível pela busca de maiores valores em seus fatores de impacto, o famigerado índice que já condenou muitas delas à descontinuidade temporária, à troca de nome e à adoção de outros recursos tentando evitar a desativação total e subsequente desaparecimento do mercado. E isso vale para as revistas do Brasil e do Exterior. Um vendaval…

Hoje, sabe-se das enormes dificuldades vividas por muitos periódicos para não se verem “banidos” do meio acadêmico, onde vários deles já pontificaram em décadas passadas. Muita discussão já aconteceu em torno do tema, que se tornou mesmo recorrente em anos recentes. Nesse contexto, matéria bem interessante acaba de ser publicada na revista Pesquisa FAPESP a respeito, dando conta de estratégias que estão sendo utilizadas pelos comitês editoriais de alguns periódicos nacionais no sentido de se adaptarem às exigências atuais do mercado para a sobrevivência, que incluem transformações estruturais, alterações surpreendentes em certas linhas de atuação (como busca por índices cada vez maiores de rejeição de manuscritos submetidos), maior inserção internacional e séria reflexão sobre a adesão – ou não – às novas condições de revistas open access  e/ou exclusivamente em versão online.

Algumas revistas do Brasil conseguiram resultados expressivos nos últimos 5 anos adotando ações radicais de reestruturação que lhes possibilitaram significativos crescimentos na quantidade de artigos tidos como “de primeira” e, consequentemente, na visibilidade e no fator de impacto. Clique aqui e acesse a matéria original publicada na Pesquisa FAPESP, leia e tire as suas conclusões.

“A maré das métricas” e “Uma praga: os artigos de segunda”

Duas matérias recentes, publicadas nas revistas Pesquisa FAPESP e Veja, ressaltaram fatos já bem conhecidos e muito preocupantes acerca do ambiente científico mundial da atualidade.

Em “Uma praga da ciência brasileira: os artigos de segunda“, da Veja, a enxurrada de manuscritos de baixa qualidade – ou mesmo intencionalmente falsos – aceitos para publicação em periódicos nacionais e estrangeiros que visam apenas ganhos financeiros, sem mínimos cuidados na avaliação dos conteúdos, foi alvo de análise crua e extremamente dura. Nesse particular, têm sido principalmente acusadas de atuar dessa metrics01forma muitas das revistas open access, desprovidas de corpo editorial qualificado, não usuárias do sistema de revisão por pares (peer review) e prontas a disponibilizar artigos na Internet com rapidez mediante pagamento de polpudas taxas de publicação. O texto deixa clara a existência de periódicos open access que fogem de tal comportamento, seguindo as boas normas de conduta na avaliação dos manuscritos; modéstia à parte, a descrição se amolda muito bem ao que aconteceu com a “nossa” atual revista, a Nematoda, que, desde a sua recente criação, vem buscando primar pela seleção de trabalhos de bom nível através de avaliação por revisores experientes indicados por editores-associados de renome. Confira!

A outra ótima reportagem, “Cuidado com a maré (das métricas)“, da Pesquisa FAPESP (texto de Fabrício Marques), trata de relatórios metrics02bem recentes produzidos por instituições do Reino Unido e de outros países alertando para a clara inadequação do uso indiscriminado e excessivo de indicadores visando à avaliação da produção científica de pesquisadores; um trecho da matéria cita que “Um exemplo desaconselhado é a utilização do fator de impacto de uma revista científica para definir a qualidade de qualquer trabalho nela publicado ou o mérito de seus autores”. Um dos entrevistados, Richard Jones, da Universidade de Sheffield (Inglaterra) afirma que “As métricas precisam ser escolhidas com cuidado e devem sempre suplementar e apoiar o julgamento de especialistas, em vez de substituí-lo”. Enfim, o texto traz uma sucessão de considerações e comentários muito interessantes a respeito dessa prática “quase obsessiva” de uso de indicadores quantitativos em que se transformou a análise da produtividade dos pesquisadores e de suas instituições ao redor do mundo. Algo que, por sinal, urge ser revisto!

C. elegans – em um verme, as travas do envelhecimento.

Na edição de outubro de 2013 da revista Pesquisa FAPESP (capa ao lado) inclui-se oportuna matéria, de Carlos Fioravanti, tratando de projeto de pesquisa em desenvolvimento na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) intitulada “Em um verme, as travas do envelhecimento”. Usando o nematoide Caenorhabditis elegans como modelo experimental, recurso ainda pouco comum nas pesquisas nacionais, os autores do estudo verificaram que exemplares vivendo em meio de cultura contendo certo antibiótico viveram de 9% a 19% mais (equivalente a até 10 dias extras) do que aqueles que não receberam. Tal ampliação na expectativa de vida não decorre de ação do fármaco sobre bactérias, das quais inclusive o nematoide se alimenta, mas por aumentar a produção e atividade da enzima Dicer e de pequenas moléculas conhecidas como microRNAs. Como são muitos os componentes a afetar o processo de envelhecimento nos seres vivos, deve-se considerar as aplicações do corrente estudo como ainda restritas, embora positivas e animadoras, uma vez que os microRNAs são estruturas que estão relacionadas tanto às melhorias observadas em certos processos como no agravamento de outros (tumores da próstata, por exemplo). O Dr. Marcelo Mori, docente da Unifesp, trouxe material de C. elegans dos Estados Unidos há dois anos, após trabalhar com o verme em Harvard em 2007, e hoje mantém uma coleção de 50 linhagens em estufa de sua instituição. Para conferir a matéria na íntegra, como publicada na Pesquisa FAPESP, clique na imagem.